ABDOMINAIS

Câncer colorretal

Atualmente o terceiro câncer mais frequente no mundo, o câncer colorretal possui alta taxa de cura (acima de 80%) quando diagnosticado e tratado precocemente, mostrando assim a importância da realização do exame preventivo (colonoscopia). É geralmente pouco sintomático, com quadros de dor, sangramento, alteração do funcionamento intestinal e perda de peso apenas nos casos mais avançados.

Seu tratamento baseia-se na remoção cirúrgica da porção intestinal acometida e seus linfonodos de drenagem (gânglios), podendo haver necessidade de tratamentos adicionais como radioterapia e/ou quimioterapia. A cirurgia pode ser realizada de forma aberta (corte) ou, como preferida atualmente, utilizando técnicas minimamente invasivas, como a Laparoscopia ou a Cirurgia Robótica.

 

Diverticulose / Diverticulite Aguda

A Doença Diverticular é a formação de saculações (divertículos) na parede intestinal, causadas pelo enfraquecimento da mesma, geralmente após os 40 anos de idade. É geralmente assintomática, porém cerca de 10% dos pacientes apresentarão ao menos um episódio de inflamação, chamada de Diverticulite Aguda.

Os quadros de diverticulite aguda geralmente se manifestam com dor abdominal (normalmente no lado esquerdo), podendo ou não estar associados a febre e alterações do funcionamento intestinal. Na maior parte das vezes, os episódios são leves, sendo tratados com antibióticos, porém, os casos mais graves ou repetidos podem necessitar cirurgias de urgência ou eletivas (após resolução do processo inflamatório).

 

Endometriose Profunda e Intestinal

A endometriose intestinal é uma doença na qual o endométrio, que é o tecido que reveste internamente o útero, se desenvolve à volta das paredes do intestino, penetrando o mesmo. A endometriose no intestino é a segunda forma mais comum da endometriose profunda, ficando atrás somente da doença localizada na região retrocervical (atrás do colo do útero).

Os sintomas mais comuns são: dor para evacuar durante o período menstrual (sintoma mais comum); diarreia ou constipação na menstruação; sensação de evacuação incompleta; sangramento pelas fezes no período menstrual (pouco comum e geralmente em casos de doença muito avançada). Nos casos mais leves, em que o tecido endometrial não se espalhou muito, o tratamento medicamentoso pode aliviar os sintomas. No entanto, os casos mais avançados podem necessitar de intervenção cirúrgica.

Existem três tipos de cirurgia que podem ser realizadas, dependendo do tamanho da lesão e das camadas acometidas. Quando a lesão acomete somente a camada externa, é possível fazer uma raspagem, sem a necessidade de retirar um pedaço do intestino (shaving). Quando a lesão é um pouco maior e mais profunda, ainda pode ser possível fazer uma remoção em disco (apenas do pedaço de parede intestinal acometida), sem a necessidade de ressecção segmentar. Porém, quando a endometriose intestinal é maior que 3 cm ou envolve mais que 30% da circunferência, o tratamento cirúrgico requer a retirada de um pequeno segmento do intestino, com anastomose (costura) primária.

Pólipos Intestinais

O pólipo é uma lesão causada pelo crescimento anormal da mucosa do intestino grosso e/ou reto. É uma condição comum (cerca de 30% da população), podendo ou não ter relação familiar. São geralmente pequenos e assintomáticos, podendo causar sangramento ou saída de muco nas fezes, quando maiores. Embora sejam benignos em sua maioria, são eles os precursores do câncer colorretal (CCR) e, por este motivo, sua presença deve ser pesquisada a partir dos 45-50 anos, através da Colonoscopia.

Todos os pólipos devem ser removidos para avaliação e prevenção do CCR. A grande maioria das lesões podem ser removidas pela colonoscopia, no mesmo momento do seu achado. Os pólipos maiores, localizados em locais de risco ou suspeitos de invasão de camadas intestinais mais profundas, têm indicação cirúrgica, preferencialmente por métodos minimamente invasivos como a Microcirurgia Endoscópica Transanal (TEM), Laparoscopia ou Robótica.

Incontinência Fecal

A incontinência fecal é a incapacidade de controlar as evacuações, causando escape de gases, fezes líquidas e/ou sólidas, involuntariamente, gerando grande desconforto e constrangimento. É causada por lesão ou enfraquecimento dos músculos e/ou nervos da região anal, sendo as causas mais comuns: prisão de ventre ao longo da vida, gestações, partos, diabetes, cirurgias na região anal, traumas anais, entre outros.

Atualmente, existem diversas modalidades de tratamento para incontinência, que podem ser utilizadas isoladamente ou em conjunto, como a fisioterapia do assoalho pélvico, cirurgias de reconstrução muscular, aplicação de substâncias para preencher os defeitos musculares e até marcapasso para regular o controle das dejeções.