Médico deve ser ativo nas redes sociais?

Recentemente, recebi a ligação de um amigo e tivemos a seguinte conversa:
– Fred, você conhece Dr. Fulano? Estou precisando fazer uma cirurgia e queria uma indicação.
– Conheço sim. Excelente profissional, tem uma formação impecável e é muito habilidoso.
– Tem certeza? Ele não tem muitos seguidores no Instagram…
Encerrei a conversa na sequência:
– Rapaz, pode confiar. Ele não é muito ativo nas redes sociais, mas no hospital é

As redes sociais permeiam nossa rotina há alguns anos e não vejo problemas em utilizá-las, sobretudo porque democratizam o acesso à informação. Hoje, qualquer pessoa pode criar seu espaço, compartilhar conhecimentos e divulgar seu trabalho. Mas, será que todo profissional pode se valer desses benefícios e facilidades, inclusive mé-
dicos e outros profissionais de saúde? Imagine a cena: você, como paciente, entra no consultório, relata seus problemas, é examinado(a), recebe seu diagnóstico e orientações de tratamento e, após a consulta, ao entrar no carro, começa a receber dezenas de ligações e mensagens de pessoas querendo saber se está tudo bem com você porque o médico relatou seu caso nos stories do Instagram.

Não dá para ser assim! Profissionais de saúde têm um compromisso com o sigilo e a privacidade do paciente. Nós que fizemos o juramento de Hipócrates não podemos desconsiderar o código de ética da nossa profissão. A seriedade e o respeito ao paciente são preceitos básicos a serem respeitados. O médico de verdade não produz ou reproduz conteúdo sensacionalista ouinverídico com o objetivo de se promover. Ele não se vale da profissão para fazer propaganda ou comercial de qualquer empresa, nem divulga tratamentos que não tenham comprovação científica.

Sei que é possível estar presente nas redes sociais sem perder a essência de ser médico. Compartilhar conhecimento
científico e se aproximar do paciente com respeito são formas inteligentes de ocupar esses espaços. Felizmente, temos a liberdade de usar qualquer meio de comunicação para esclarecer pessoas, promover educação e/ou promover campanhas de saúde. O médico que explora as redes sociais com esses objetivos não quebra os pilares da ética médica.

O número de seguidores nas redes sociais nem sempre reflete a experiência do profissional, a quantidade de plantões trabalhados, as horas de sono perdidas para ler o último artigo publicado e os dias de treinamento em simuladores para chegar à perfeição antes de operar um paciente. Aquele que dedica muitas horas aos estudos, treinamentos e trabalhos dificilmente consegue encontrar tempo para relatar seu cotidiano com frequência ou para estar tão presente nas “timelines”. Ao escolher seu médico, procure saber se ele é ativo nas redes hospitalares. A rede social não necessariamente reflete sua qualidade

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